Dieta: o caso da filha do Dr. Tallon

dieta Carminha Tallon

A filha mais velha do Dr. José Maria Tallon levou a cabo uma dieta na qual perdeu 40 quilos. Com 1,72m de altura, chegou a pesar 109 quilos, sendo que, na altura a sua obesidade era sentida no silêncio do seu sofrimento interior. Chocolates, bolachas e bolos faziam parte da sua ementa diária, a isto acrescia ainda o facto de Carminha repetir a dose, fosse ao almoço ou ao jantar. Já não fazia intervalos entre refeições…

  • Parece uma ironia do destino a sua própria filha ter chegado aos 109 quilos, quando é a si que grande parte dos obesos recorre para se tratar…

Dr. José Maria Tallon - Tive a paciência suficiente para esperar que fosse ela a decidir. Olhava para ela e via-a destruir-se física e psiquicamente, o que me provocava um certo mal-estar, mas não o suficiente para a obrigar a fazer o que quer que fosse. De vez em quando desafiava-a a comprar roupa, mas ela inventava sempre uma desculpa. Tinha uma desculpa para tudo. Todavia, eu não sabia como é que havia de abordar o assunto, porque as pessoas que vão à consulta fazem-no porque decidiram ir, eu não as interpelo na rua para as convencer a emagrecer.

Carminha - Acho que foi bom o meu pai nunca me ter pressionado e até me irritava um bocadinho com as pessoas que por vezes comentavam o facto de eu ser gorda sendo filha dele. Toda a vida soube o que era uma alimentação equilibrada e o que fazia mal e bem à saúde, mas não foi por isso que deixei de comer cinco ou seis chocolates por dia.

  • Como é que chegou aos 109 quilos?

Dr. José Maria Tallon - A primeira vez que a Carminha tomou as minhas cápsulas para perder peso tinha 13 anos e, aliás, foi isso que lhe salvou a vida, pois ao emagrecer a papada deixou de mascarar o tumor que tinha, que era um problema de tiróide ao qual teve de ser operada por um médico do Instituto Português de Oncologia. E se a sua tendência para engordar já era alguma, a partir daí agravou-se. Depois, aos 16 anos, voltou a fazer dieta, mas não levou o assunto muito a sério. Com a entrada na faculdade tudo piorou. Como tinha de estudar muito à noite, passou a beber muitos cafés, a comer descontroladamente…

  • Teve noção de que estava a engordar de dia para dia?

Carminha - Tentei, durante muito tempo, convencer-me que me sentia bem comigo. Comecei por engordar um quilo ou dois, depois, quando engordei dez, achei que pior não podia ficar e deixei de prestar atenção ao que comia. O aumento de peso foi progressivo e já nem me pesava. Até que comecei a ter dificuldade em encontrar roupa que me servisse.

  • Nessa altura olhava para a obesidade como uma doença?

Dr. José Maria Tallon - Ela dizia que não se importava de ser gorda, que as pessoas tinham de gostar dela pelo seu interior e não pelo exterior.

Carminha – Arrependo-me de ter deixado andar, de me ter desleixado. Agora que posso falar da minha experiência, aconselho a todas as pessoas que são gordas que não adiem a questão. Tenho sorte de emagrecer com facilidade, mas teria sido mais fácil perder apenas dez ou 15 quilos do que 40.

  • Às vezes as pessoas precisam de apanhar um susto para tomarem grandes decisões no que toca à saúde…

Dr. José Maria Tallon - E com ela aconteceu o mesmo. Fomos os dois dar um passeio e, quando chegámos a casa, deparámo-nos com o elevador avariado, e tivemos de subir a pé até ao 12.º andar. Quando chegámos a meio das escadas ela já estava com dificuldade em aguentar, mas continuou, e ao chegar a casa fez uma arritmia cardíaca e assustou-se. Naquele dia disse-me que queria emagrecer…
(…) Confesso que no início achei que ela estava a brincar e perguntei-lhe se queria fazer dieta como das outras vezes. Ela respondeu que desta vez queria mesmo levar a sério o programa de emagrecimento. Disse-lhe que então no dia seguinte seria a minha primeira paciente.

  • Foi preciso coragem para começar?

Carminha – O difícil foi tomar a decisão de emagrecer e começar. Confesso que a primeira semana é dura, mas depois os hábitos alimentares mudam e o organismo passa a habituar-se a menor quantidade de comida.

  • Portanto, cumpriu à risca as novas regras…

Dr. José Maria Tallon - Desde o primeiro dia. Eram 10h da manhã e lá estava ela à porta do meu consultório. Não se quis pesar e, quando o fez, nem queria acreditar. Disse-me que a balança estava avariada. Quando a convenci de que aquele peso era verdadeiro, acabou por aceitar e empenhou-se para perder peso.

  • Como se sente agora?

Carminha - Mais segura e a minha auto-estima agora é tão grande que ainda me dá mais força para continuar. Quando se engorda muito e se tem a auto-estima em baixo, também deixa de haver vontade de emagrecer.

Dr. José Maria Tallon - Estar a dar esta entrevista e a fazer estas fotos é a prova de que agora há uma Carminha diferente, mais feliz, de bem com a vida. Ela voltou a gostar de si própria. Havia uma Carminha escondida há muitos anos. Ela, que sempre foi muito extrovertida, nos últimos tempos não falava. Tinha a cara deformada, uns olhos tristes, e o problema não era só estético, era também de saúde.

  • Já se submeteu a alguma cirurgia?

Dr. José Maria Tallon - Não, mas, muito provavelmente, no final precisará.

  • Quer deixar alguma mensagem às pessoas que vão ler esta entrevista?

Carminha - Quem sofre de obesidade tem de se capacitar que é uma doença e procurar um médico. Sinto-me tão bem neste momento que aconselho toda a gente a fazer o que fiz.

Entrevista adaptada da revista Caras, 14.02.2008

 Dieta: o caso da filha do Dr. Tallon

TAMBÉM PODERÁ GOSTAR DE LER:

Como saber quais as dietas que são seguras?
«A Minha Dieta», livro da autoria do Dr. José Maria Tallon
NUNCA faça exercício físico em jejum
Os melhores alimentos para emagrecer


Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>