As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de morte, tendo como principais factores de risco a hipertensão arterial, o tabagismo, o stress, o sedentarismo, o colesterol, a diabetes e os maus hábitos alimentares – caracterizados pelo excesso na ingestão de sal, gorduras e açúcares de absorção rápida, associados à ausência/consumo reduzido de legumes, vegetais e fruta fresca. A dieta mediterrânica é exactamente o oposto desta alimentação incorrecta, promovendo hábitos alimentares saudáveis.
Elsa Feliciano, nutricionista da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), explica que “a dieta mediterrânica corresponde a um padrão alimentar que envolve características relacionadas tanto com os alimentos que ingerimos como com um conjunto de hábitos que fazem deste padrão alimentar um dos mais saudáveis do mundo”. Esta é uma dieta que se caracteriza, entre outras coisas, pelo facto de a quantidade de alimentos ingeridos ser totalmente adequada às necessidades do nosso organismo.
A nutricionista salienta ainda que a “base da pirâmide desta dieta, ou seja, os alimentos que entravam em maior quantidade no dia-a-dia, eram os cereais, sobretudo os mais escuros, através do pão, do arroz e da massa. Por outro lado, os legumes e a fruta faziam parte de praticamente todas as refeições e eram consumidos diariamente. Depois havia consumos moderados, a maior parte das vezes nem sequer diários, de carne, peixe, lacticínios e leguminosas, que entravam na alimentação de uma forma bastante moderada, sendo que quando falamos de carne, falamos sobretudo de pequenos animais, tais como as aves de capoeira, o coelho e eventualmente o porco. As carnes vermelhas eram consumidas mensalmente e em menor quantidade”.
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A juntar ao que atrás se referiu, esta é uma dieta que tem o azeite como gordura de eleição e cujo consumo de alimentos extra, como por exemplo os doces, era reservado para dias pontuais e festivos. ”O problema é que hoje em dia as pessoas fazem do seu dia-a-dia um dia de festa”, alerta a nutricionista da FPC, frisando que “os últimos 30 anos foram anos de grandes mudanças alimentares nos países mediterrânicos e hoje em dia estamos muito longe daquilo que é a verdadeira dieta mediterrânica, sobretudo os mais jovens. Daí a necessidade de voltarmos a adoptar alguns destes hábitos que durante décadas nos protegeram, sobretudo do ponto de vista cardiovascular”.
Importante será referir que paralelamente à pirâmide alimentar da dieta mediterrânica, contempla-se também a ingestão de um copo de vinho tinto e a prática de exercício físico, duas características basilares para a saúde.
